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Aspectos legais ao reformar unidades em edifícios antigos

  • Foto do escritor: Redação Bersouza Engenharia
    Redação Bersouza Engenharia
  • há 3 dias
  • 10 min de leitura

Quando penso em reformas em prédios antigos, lembro logo do misto de entusiasmo e responsabilidade que envolve cada etapa. Não é só uma questão estética: mexer em imóveis históricos ou de muitos anos traz um conjunto de desafios legais, técnicos e até éticos, que exigem uma atenção especial. A minha experiência acompanhando projetos na Bersouza Engenharia me mostrou que, para evitar aborrecimentos e garantir resultados de qualidade, é fundamental conhecer a fundo todos os aspectos legais que envolvem esse tipo de obra.

Neste artigo, quero mostrar um panorama completo sobre essas exigências, partindo do que diz a legislação até as pequenas nuances de convivência com vizinhos e órgãos públicos. Vou abordar desde permissões, passando por restrições, notificações legais, até o pós-obra. A ideia é clarear o caminho de quem deseja reformar, trazendo informações atualizadas, exemplos de situações que vi acontecer e dados relevantes do setor.


Por que reformar unidades em edifícios antigos exige tanta atenção legal?


A primeira pergunta que surge quando clientes me procuram para reformar seu apartamento em um prédio antigo é: o que muda em relação a imóveis mais novos? Eu costumo responder que, dependendo do edifício, tudo muda.

Reformas em unidades antigas envolvem cuidados que vão desde a estrutura até as regras do condomínio, sem falar em leis municipais e proteção ao patrimônio histórico. Isso acontece porque boa parte desses prédios foi construída em épocas cujos padrões de segurança, acessibilidade e instalações são diferentes dos que temos hoje.

Reformar sem considerar essas exigências pode gerar multa, embargos ou até riscos à integridade do prédio.

Por isso, antes de pensar na mudança da planta, escolher revestimentos ou abrir paredes, o olhar deve se voltar para a legislação específica e para a análise técnica detalhada do imóvel. Muitas vezes vejo obras paralisadas porque algum detalhe legal passou despercebido. E não é raro departamentos públicos manterem fiscalização ativa exatamente nesses locais históricos ou tradicionais da cidade.


Entendendo a legislação: panorama das normas nacionais e locais


Em mais de uma década vivendo o universo das reformas, aprendi que o segredo é respeitar o tripé legal: o que diz a legislação nacional, estadual e municipal. Embora o Código Civil e normas da ABNT sejam a base, cada cidade pode ter suas próprias regras, particularmente em áreas de interesse histórico.

No âmbito nacional, a Lei nº 10.406/2002 (Código Civil) define:

  • A obrigatoriedade de comunicar o condomínio sobre qualquer intervenção que possa afetar a segurança da edificação;

  • A necessidade de licenças para intervenções estruturais;

  • O dever do proprietário em não gerar risco nem incômodo aos demais moradores.

A nível municipal, especialmente em cidades com tradição e prédios tombados, entram em cena regras específicas que podem ir de simples vistorias pré-obras até proibições totais de alterações em fachadas e elementos internos protegidos por lei.


Casos especiais: imóveis tombados e áreas de preservação


Quando o imóvel ou o condomínio está em área protegida, os cuidados são redobrados. Os órgãos de patrimônio, nacionais, estaduais ou municipais, precisam ser consultados. O IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), por exemplo, tem manual próprio para intervenções, detalhando o que pode ou não ser alterado.

Nenhuma obra pode iniciar nesses imóveis sem autorização formal. Alterações não comunicadas podem resultar em processos administrativos, multas e até responsabilização judicial.


Licenças, autorizações e comunicação com o condomínio


No dia a dia, muitos clientes da Bersouza Engenharia chegam imaginando que uma simples escrituração das mudanças já é suficiente. Mas o processo depende do tipo de intervenção, se é estrutural, se atinge áreas comuns, se envolve atualização de instalações como hidráulica ou elétrica.

  • Obra sem alteração estrutural: na maioria dos casos, basta comunicar formalmente ao síndico e apresentar um plano, que deve ser aprovado em assembleia, dependendo do regimento interno do condomínio.

  • Obras estruturais ou ampliadas: exigem a assinatura de um engenheiro ou arquiteto registrado no CREA ou no CAU e podem precisar de alvará da prefeitura.

  • Edifícios tombados ou em área de proteção: além dos itens anteriores, requerem aprovação dos órgãos de patrimônio e, possivelmente, apresentação de projetos detalhados com justificativas técnicas.

É importante entender que qualquer alteração que mude a segurança, solidez ou estética da fachada exige comunicação e formalização ampla. Essa regra vale inclusive para pequenas reformas, se elas envolverem alterações em paredes, pilares, lajes ou janelas visíveis pelo lado externo do prédio.

Um ponto fundamental é manter toda a documentação do projeto, ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) ou RRT (Registro de Responsabilidade Técnica), laudos, alvarás e aprovações sempre disponíveis. Em uma fiscalização ou disputa, a presença desses registros faz total diferença.


O papel do condomínio e a convivência harmoniosa durante a reforma


Um dos aspectos que costumo abordar no início dos projetos é a convivência. A comunicação clara com os vizinhos e com o síndico é não só regra legal, mas uma medida de respeito e prevenção.

A maior parte dos conflitos em reformas residenciais nasce da falta de aviso prévio, barulho fora de horário, sujeira nas áreas comuns ou retenção de elevador para transporte de materiais. Por isso sempre oriento exigir, e oferecer, transparência nas etapas da obra.

Regras comuns em regimentos internos incluem:

  • Horários permitidos para obras

  • Uso dos elevadores de serviço e proteção dos mesmos

  • Retirada de entulho em horário restrito

  • Obrigação de apresentar projeto, laudos e documentos ao síndico

Descumprir essas normas pode levar a advertências e multas. É bem comum síndicos exigirem um cronograma detalhado, que sempre monto junto com a pessoa que contrata a Bersouza Engenharia para evitar problemas.


Reformas estruturais e interferências técnicas: riscos e precauções


Reformas superficiais, como pintura ou troca de pisos, raramente oferecem riscos técnicos. No entanto, quando a ideia é mudar paredes, reforçar vigas, substituir janelas ou abrir espaço interno, a avaliação técnica vira prioridade máxima.

Prédios antigos muitas vezes possuem lajes, vigas e pilares com dimensões menores do que os dos projetos atuais, instalações obsoletas e reforços feitos sem documentação adequada. Já vi situações em que uma parede “aparentemente simples” sustentava parte relevante da estrutura. Em edifícios antigos, a história escondida atrás das paredes pode surpreender, e complicar, se for ignorada.

O acompanhamento de engenheiro ou arquiteto é obrigatório para retirar ou erguer elementos estruturais. Sempre peço que o responsável pelo projeto forneça laudo técnico detalhado, junto com ART ou RRT, garantindo a segurança de todos. E oriento meus clientes que, em caso de dúvida, a prudência é o melhor caminho.

Não se arrisque: alteração estrutural só com projeto e acompanhamento profissional.

O crescimento do segmento de serviços especializados ficou evidente na publicação da Pesquisa Anual da Indústria da Construção do IBGE, que mostrou uma elevação significativa na participação dessas empresas. Esse dado confirma o que noto no mercado: a busca por expertise técnica em reformas [como mostra a análise do IBGE sobre crescimento dos serviços especializados na construção](https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/43455-em-2023-servicos-especializados-batem-recorde-em-participacao-no-valor-de-obras-e-numero-de-pessoas-ocupadas).


Responsabilidade civil, penal e seguro da obra


Um tema que costuma aparecer em reuniões de aprovação de projetos é a responsabilidade por acidentes, danos a terceiros ou problemas na estrutura do prédio. Reformar é assumir riscos, e a legislação prevê que o proprietário e o responsável técnico respondem solidariamente por danos causados em decorrência da obra.

Entre as principais obrigações, estão:

  • Garantir integridade das áreas coletivas, como escadas, corredores e elevadores

  • Evitar danos a redes hidráulicas, elétricas ou de gás do edifício

  • Contratar seguro de responsabilidade civil, sempre que o condomínio ou a legislação local exigir

  • Estar ciente de que, em prédios tombados, danos ao patrimônio histórico também podem ser crimes ambientais

Tive casos em que uma simples perfuração em laje desencadeou infiltrações sérias no apartamento de baixo. Fora os custos e incômodos, a reputação do responsável fica abalada, e o processo legal pode se arrastar durante anos.


Retrofit e incentivos legais para requalificação de prédios antigos


Algo que me fascina é ver como prédios que pareciam condenados à decadência recebem nova vida por meio do retrofit, conceito que vai além da simples modernização, buscando melhorar conforto, desempenho e eficiência energética, sem abrir mão das características originais.

A cidade de São Paulo, por exemplo, possui legislações específicas incentivando retrofit, sobretudo para produção de unidades HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL (HIS). Recentemente, o Decreto 64.092/2025 aumentou pontuações e subvenções a projetos que destinam parte dos apartamentos para esse fim, facilitando o acesso a recursos e aprovações, como detalhado em notícia da prefeitura de São Paulo sobre ampliação dos incentivos ao retrofit para moradia popular no centro da cidade.

Outro recurso é o Programa Requalifica Centro, que prevê apoio financeiro a quem investe na requalificação de edifícios antigos. Até outubro de 2025, foram formalizados subsídios para a requalificação de 16 imóveis, ampliando o leque de possibilidades para a revitalização urbana, como posso conferir na página institucional da prefeitura de São Paulo sobre o apoio ao retrofit para mudar a paisagem do centro.

Para mim, o segredo do retrofit bem-sucedido está em unir tradição e inovação, respeitando as exigências formais e tirando proveito de incentivos, sem abrir mão do planejamento técnico correto e de um acompanhamento de perto do andamento das obras. Inclusive, muitos dos projetos que apresento à Bersouza Engenharia focam nessa revitalização sustentável, o que tem atraído cada vez mais pessoas interessadas em valorizar o património e dar nova função a velhas estruturas.


Modernização de instalações: energia, água, gás e acessibilidade


Algo que sempre chamo atenção de quem pensa em reformar unidade em prédio antigo é a atualização das instalações. Muitas vezes, sistemas elétricos, hidráulicos e de gás são originais da época da construção, não suportando a demanda atual de equipamentos e tecnologias.

Instalações antigas podem ser frágeis ou até clandestinas, e um curto-circuito por sobrecarga representa risco para todo o condomínio. A modernização das redes deve ser feita com base em laudos de especialistas, respeitando normas da ABNT como a NBR 5410 (instalações elétricas) e NBR 5626 (instalação hidráulica).

A acessibilidade é mais um ponto crítico. A legislação federal (Lei Brasileira de Inclusão, NBR 9050) exige adaptações mínimas para pessoas com deficiência. Embora nem sempre seja possível readequar todo o edifício, alterações nos apartamentos devem considerar rotas acessíveis, barras de apoio e outros dispositivos sempre que tecnicamente viável.

Além disso, para edifícios classificados como históricos ou tombados, toda intervenção nas instalações pode depender de autorização dos órgãos de preservação. Por isso, a atualização dessas redes precisa ser cuidadosamente planejada e documentada.


Limites das reformas: o que pode e o que não pode em prédios antigos?


Nesse ponto, o bom senso caminha lado a lado com a lei. Sempre oriento: antes de projetar ambientes, confira as proibições do condomínio e da legislação municipal.

Dentre as proibições mais comuns, destaco:

  • Alteração da fachada (inclusive esquadrias e pintura externa);

  • Demolição de paredes estruturais sem laudo técnico e aprovação formal;

  • Obras que impactem forros, telhados ou sistemas de impermeabilização coletivos;

  • Transferência de pontos de água ou gás sem validação técnica;

  • Mudança em áreas comuns sem aprovação unânime da assembleia;

  • Instalação de equipamentos pesados (como banheiras ou jacuzzis) sem avaliação de carga.

No mais, cada projeto acaba sendo único, e o olhar criterioso do engenheiro ou arquiteto pode apontar outros limites, dependendo do prédio específico e do histórico de manutenções.


Planejamento inteligente: cronograma, orçamento e gestão integrada


Falando de aspectos práticos, não basta atender as exigências legais. Reformar em prédios antigos envolve planejamento quase cirúrgico e gestão rigorosa, e é aí que a experiência de empresas especializadas, como a Bersouza Engenharia, faz diferença real.

Costumo recomendar:

  • Planejamento do cronograma para minimizar impacto nos vizinhos;

  • Orçamento detalhado, incluindo margem para imprevistos técnicos;

  • Gestão centralizada dos serviços, evitando ruídos na comunicação;

  • Contratação de fornecedores qualificados para cada etapa (do responsável técnico ao descarte de resíduos);

  • Acompanhamento de perto e relatórios periódicos ao proprietário e à administração do condomínio.

Já abordei casos e dicas práticas no artigo sobre reforma residencial em nosso blog, em que mostro de perto como um projeto bem planejado pode evitar dores de cabeça e atrasos.

A integração entre áreas técnicas, jurídicas e de gestão é o que garante o sucesso na requalificação de unidades em edifícios antigos, seja para moradia tradicional, retrofit inovador ou adequação às novas demandas urbanas.


Consequências de ignorar requisitos legais e dicas para regularizar sua reforma


Não são raras as histórias de quem inicia pequenas mudanças e acaba surpreendido por uma multa, embargo da obra ou até processos judiciais. Na dúvida, sempre falo: regularize tudo antes de começar.

As consequências mais comuns de uma obra sem a documentação necessária incluem:

  • Multa aplicada pela prefeitura e condomínio

  • Embargo administrativo (interrupção da obra)

  • Obrigação de desfazer alterações não autorizadas

  • Responsabilização civil e penal por danos ao patrimônio ou terceiros

Para regularizar uma reforma iniciada sem as devidas autorizações, o caminho costuma ser mais longo: envolve apresentação de laudos corretivos, recolhimento de taxas, ajuste do projeto e, em alguns casos, audiência com órgãos de defesa do patrimônio ou da prefeitura. Portanto, o melhor sempre é investir atenção e tempo nos trâmites prévios.


Onde buscar mais informações e apoio profissional


Se você está em fase de planejamento ou já esbarrou com um desafio legal na reforma de uma unidade em prédio antigo, recomendo buscar informações nos canais oficiais do seu município, além de consultar o regimento interno do condomínio e, claro, contar com o suporte de profissionais com experiência no segmento.

Conteúdos como os publicados na seção de reformas do portal da Bersouza Engenharia, além das categorias de projetos residenciais e gestão de obras, trazem exemplos reais, guias práticos e orientações para quem deseja reformar com segurança, eficiência e respeito à lei.

Para casos ainda mais específicos, como dúvidas sobre excesso de barulho ou sobre as etapas do processo legal para regularização, recomendo conferir alguns relatos concretos, como os apresentados em experiências de retrofit e gestão de reformas em prédios antigos, onde compartilho detalhes práticos que presenciei atuando no setor.


Conclusão: a arte de transformar com responsabilidade


Reformar um apartamento ou casa em prédio antigo pode ser uma experiência gratificante, principalmente quando se tem clareza sobre as obrigações legais e técnicas. A atenção aos detalhes, o respeito às normas e a busca por orientação profissional fazem toda a diferença. Em meus anos de atuação, vi muitos projetos ganharem vida justamente por seguirem esse caminho sério e comprometido.

Se você tem um imóvel antigo e deseja fazer uma transformação segura, sustentável e sem surpresas, conheça mais sobre as soluções personalizadas da Bersouza Engenharia. Com dedicação à inovação e respeito ao patrimônio, pode ter certeza de que seu projeto será tratado como um legado. Entre em contato pelo formulário no site ou telefone e dê o primeiro passo para realizar seu sonho sem dores de cabeça!


Perguntas frequentes



Preciso de autorização para reformar meu apartamento?


Sim, em quase todos os casos é obrigatório comunicar o condomínio e obter autorização formal antes de iniciar qualquer reforma, especialmente se envolver mudanças na estrutura, hidráulica, elétrica ou for gerar impacto nas áreas comuns. Se o prédio for tombado ou estiver em área de proteção, é preciso obter aprovação dos órgãos de patrimônio antes de qualquer intervenção.


Quais reformas são proibidas em edifícios antigos?


Em geral, são proibidas alterações que comprometam a estrutura do prédio, modifiquem a fachada ou prejudiquem redes coletivas sem autorização e acompanhamento profissional. Não se pode demolir paredes estruturais, mexer em forros ou telhados coletivos, nem instalar itens que sobrecarreguem lajes sem laudo técnico. Imóveis tombados têm restrições ainda maiores, orientadas pelos órgãos de proteção ao patrimônio.


Como regularizar uma obra em prédio antigo?


Para regularizar uma reforma iniciada sem autorização, é preciso apresentar laudos técnicos, recolher taxas, ajustar o projeto à legislação e obter aprovação formal do condomínio e dos órgãos públicos competentes. Em alguns casos, pode ser necessário adequar a obra ao projeto legalmente permitido ou desfazer alterações indevidas. Procurar ajuda de um engenheiro ou arquiteto experiente facilita e agiliza o processo.


Quem fiscaliza reformas em prédios antigos?


A fiscalização é feita pelo condomínio (por meio do síndico), pela prefeitura local e, quando for caso, pelos órgãos de patrimônio histórico como o IPHAN ou departamentos municipais de proteção. Dependendo do tipo de intervenção, a vistoria pode ser feita em diferentes etapas e ser exigida documentação que comprove a regularidade da obra.


Quais documentos preciso para iniciar uma reforma?


Os principais documentos são a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) ou Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), o projeto assinado por engenheiro ou arquiteto, autorização formal do condomínio e, quando necessário, alvará da prefeitura e aprovação de órgãos de patrimônio. Também é importante manter o cronograma detalhado, laudos de avaliação e plano de descarte de resíduos acessíveis durante toda a obra.

 
 
 

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